Minas Gerais ocupou um papel de destaque na produção aurífera brasileira. A Coroa Portuguesa, preocupada em garantir seus ganhos, criou a Intendência das Minas em 1702, um órgão responsável por administrar, explorar e cobrar impostos na região.
O ouro circulava em pó, e a cobrança de impostos nas estradas, realizada pelos soldados conhecidos como Dragões do Regimento das Minas, era um desafio. Para burlar o pagamento, o povo usava de esperteza, escondendo o ouro em calçados, doces e até mesmo em imagens de santos (o chamado ‘santo do pau oco’).
Diante disso, a Coroa criou as Casas de Fundição, órgãos governamentais que tinham como objetivo proibir a circulação do ouro em pó. O ouro deveria ser entregue, transformado em barras e receber o selo de quitação após o recolhimento do quinto (20% do total). Quem fosse pego com ouro em pó ou barras não quintadas enfrentaria sérias punições.
O elevado preço dos alimentos já gerava grande descontentamento, agora ampliado pela instituição das Casas de Fundição, que dificultava as práticas ilícitas e aumentava o controle da Coroa. Essa insatisfação geral gerou uma revolta popular liderada por Felipe dos Santos, que exigia o fim das Casas de Fundição. A elite local, liderada por Pascoal da Silva Guimarães, também participou do movimento inicialmente, mas acabou recuando.
A Coroa Portuguesa reprimiu duramente o movimento. Felipe dos Santos, para servir de exemplo, foi enforcado e teve seu corpo esquartejado. Em consequência da revolta, a Coroa decidiu separar a Capitania de Minas Gerais da Capitania de São Paulo em 1720, permitindo um controle mais direto e eficaz sobre a região.